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Por que a morte de “El Mencho” não reduziria a violência no México

A eventual morte de “El Mencho” — apelido de Nemesio Oseguera Cervantes — dificilmente resultaria em queda imediata da violência no México, segundo analistas de segurança pública e crime organizado.


O traficante é apontado como líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país. No entanto, especialistas avaliam que o problema vai além da figura de um único chefe.


Estrutura descentralizada


Cartéis modernos operam de forma descentralizada, com células regionais que mantêm relativa autonomia. Mesmo sem o líder máximo, a estrutura tende a continuar funcionando, com sucessores previamente preparados para assumir o comando.


Efeito “fragmentação violenta”


A experiência mexicana mostra que a captura ou morte de chefes do tráfico frequentemente gera disputas internas e guerras entre facções rivais. Esse fenômeno, conhecido como fragmentação criminosa, pode aumentar os confrontos armados e as taxas de homicídio no curto e médio prazo.


Diversificação das atividades


O CJNG e outros cartéis não atuam apenas no narcotráfico. Eles expandiram operações para extorsão, sequestro, mineração ilegal e controle territorial. A violência está associada à disputa por essas múltiplas fontes de renda ilícita.


Fatores estruturais


A violência no México também está ligada a fatores estruturais como corrupção institucional, fragilidade do sistema de justiça, desigualdade social e presença de armas de alto calibre. A eliminação de um líder não altera automaticamente essas condições.


Histórico recente


Desde a chamada “guerra às drogas”, iniciada em 2006, a estratégia de neutralização de chefes do narcotráfico resultou na prisão ou morte de vários líderes, mas o país continuou registrando altos índices de homicídio.


Assim, especialistas argumentam que o enfraquecimento duradouro do crime organizado depende de reformas institucionais, fortalecimento das polícias locais, inteligência financeira e políticas públicas voltadas à prevenção, e não apenas da remoção de figuras simbólicas do comando criminoso.

 
 
 

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