PF aponta uso de inteligência artificial em suposta rede de ataques políticos investigada no Amapá
- Hugo Delleon

- há 3 horas
- 2 min de leitura

A investigação da Polícia Federal no âmbito da Operação Palanque Digital revelou uma nova frente das apurações envolvendo o uso sistemático de conteúdos produzidos com aparente utilização de inteligência artificial para atacar adversários políticos e favorecer aliados nas redes sociais no Amapá.
De acordo com trechos do relatório obtidos pela reportagem, a PF identificou animações, personagens fictícios, vídeos manipulados e publicações coordenadas envolvendo páginas políticas que atuavam na disseminação dos conteúdos investigados.
Segundo os investigadores, os materiais tinham como principais alvos o governador Clécio Luís, o prefeito interino de Macapá Pedro DaLua e o senador Davi Alcolumbre.
A PF afirma que os conteúdos ultrapassavam o limite da crítica política tradicional e utilizavam caricaturas digitais, linguagem pejorativa e manipulação visual para ampliar alcance e engajamento nas redes sociais.
Personagens criados com IA
Os documentos apontam que o perfil “Programa Potoca” publicou vídeos em formato de roteiro utilizando personagens produzidos com inteligência artificial.
Nas animações analisadas:
Clécio Luís aparecia como “Chuclécio”;
Davi Alcolumbre era retratado como “Abacavi”;
Pedro DaLua surgia como “Dacuaçu”.
As investigações mostram que os personagens digitais eram inseridos em cenários artificiais acompanhados de ironias, comentários políticos e frases consideradas depreciativas.
Para a PF, embora os vídeos tivessem aparência humorística, eram utilizados para reforçar ataques políticos direcionados contra adversários específicos.
Investigação aponta “dupla estratégia” digital
O relatório também indica que os mesmos conteúdos promoviam uma narrativa positiva em relação ao ex-prefeito Antônio Furlan e à deputada Rayssa Furlan.
Nas animações:
Antônio Furlan aparecia como “Dr. Bananudo”;
Rayssa Furlan como “Rayssete”.
Segundo a PF, os materiais ligados ao casal tinham tom elogioso, em contraste com os conteúdos direcionados aos adversários políticos.
O ex-prefeito Antônio Furlan renunciou ao cargo após denúncias de corrupção investigadas pela Polícia Federal.
Rede de páginas atuava de forma coordenada
As investigações apontam que os conteúdos eram compartilhados por uma rede de páginas e perfis políticos.
Segundo o relatório, o primeiro vídeo considerado difamatório produzido com aparente uso de IA foi publicado pelo perfil “Programa Potoca”, em colaboração com as páginas:
“Ispia Amapá”;
“Me Solta Amapá”.
Posteriormente, os mesmos materiais passaram a ser replicados por outros perfis, como:
“Weltão News”;
“SoedTV”.
A PF afirma que as publicações circulavam em uma espécie de corrente digital coordenada, com compartilhamentos cruzados entre diferentes páginas.
Conteúdo continuou circulando em abril
As investigações também identificaram continuidade da disseminação dos vídeos em abril de 2026.
Segundo a PF:
no dia 16 de abril, outro trecho da animação foi publicado pelo perfil “SoedTV”, em colaboração com “Portal Conta Tudo” e “Ispia Amapá”;
no dia 19 de abril, uma nova animação foi compartilhada pelos perfis “SoedTV” e “AlexandreAzevedo_AP”.
Os documentos incluem capturas de comentários, curtidas, compartilhamentos e interações entre os perfis envolvidos.
PF vê estrutura organizada
Para os investigadores, os elementos reunidos indicam a existência de uma estrutura organizada de produção, colaboração e disseminação digital envolvendo múltiplas páginas e perfis políticos atuando de maneira coordenada nas redes sociais.
Até o momento, não há condenações relacionadas ao caso. A investigação segue em andamento.
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